Ensinar, comover e divertir devem ser as metas de todo grande escritor, segundo os preceitos da retórica clássica. Neste perspicaz romance histórico, Samir Machado de Machado cumpre à risca a receita dos mestres de outrora — mas adicionando elementos contemporâneos bem vistosos, como referências à cultura queer e ao pop hollywoodiano. Eis, bem-aventurado leitor, as prodigiosas aventuras de Érico Borges, agente secreto de sua majestade, el-Rei dom José I de Portugal, na capital do Império britânico.
Súdito brasileiro da coroa lusitana, de pai reinol e mãe inglesa, Borges possui educação e modos refinados, em contraste com a maioria de seus conterrâneos, todos uns broncos. Nosso detetivesco protagonista é militar de profissão e leitor compulsivo por vocação, mas depende do contrabando para ter acesso a livros de autores como Shakespeare, Platão e Montaigne — cuja importação àquela altura era proibida no Brasil.
Um lance de sorte e astúcia, à maneira das melhores cartadas de whist, transforma seu destino. O conde de Oeiras, eminência parda da coroa e futuro marquês de Pombal, requisita seus conhecimentos livrescos para uma delicada missão de espionagem em território estrangeiro: identificar os responsáveis pela difusão de um livreto pornográfico na colônia sul-americana, que Lisboa atribui aos inimigos de Portugal e da Igreja.
Ambientado na Inglaterra dos princípios da Revolução Industrial, Homens elegantes reconstitui com graça e rigor a geografia social da subcultura gay da Londres georgiana. Através do detalhado pano de fundo desse teatro urbano se movimenta uma trama imprevisível, repleta de mistérios, paixões e reviravoltas. Além de numerosas figuras históricas, o universo pop de Samir Machado de Machado também é habitado por uma galeria de personagens de seus mestres da narrativa — de Thomas Pynchon a Italo Calvino, por Umberto Eco, pelos games de Assassin's Creed e os clássicos capa-e-espada da era de ouro do cinema.
เกี่ยวกับผู้แต่ง
Samir Machado de Machado nasceu em Porto Alegre, em 1981. É escritor, tradutor e mestre em escrita criativa pela PUC-RS. Traduziu para a Todavia os romances O mundo perdido, de Arthur Conan Doyle, e As minas do rei Salomão, de H. Rider Haggard. É autor, dentre outros, dos romances Quatro soldados e Tupinilândia (prêmio Minuano de Literatura 2019). Ganhou duas vezes o prêmio Jabuti de melhor romance de entretenimento, em 2021 por Corpos secos, coescrito com Luísa Geisler, Natália Borges Polesso e Marcelo Ferroni, e em 2024 por O crime do bom nazista. Sua obra já foi traduzida para o francês, o italiano e o inglês.